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Portugal inova, o mundo protege: patentes portuguesas ganham espaço global

27 de Novembro de 2025

Ana Madalena Ferreira

Portugal está num momento de dinamização relativamente forte da inovação patenteada, com crescimento sustentável dos pedidos tanto nacionais como internacionais:

  • Em 2024, foram submetidos 951 pedidos para invenção nacional em Portugal (via Instituto Nacional da Propriedade Industrial — INPI) — um aumento de 5,2% face a 2023.
  • O número de pedidos internacionais (PCT + Europeus) em Portugal como instituto recetor foi de 77 em 2024.
  • Para pedidos junto da European Patent Office (EPO) com origem portuguesa, em 2024 foram 347 — +4,8% face a 2023.
  • Portugal ocupa a 18.ª posição na Europa em termos de pedidos de patentes, com cerca de 0,4% da quota europeia.
  • Áreas com maior número de pedidos incluem tecnologia informática e médica.

O Brasil representa tanto um mercado interessante de proteção de patentes para empresas portuguesas como um ambiente onde custos específicos (tradução para português, trâmites locais) precisam de ser bem assimilados.

  • No Brasil, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial – Brasil (INPI-BR) exige que os pedidos de patentes sejam em português do Brasil, ou que contenham tradução para o português do Brasil em prazos específicos.
  • Existe um acordo de cooperação entre Portugal e Brasil que estabelece o “Patent Prosecution Highway (PPH)” entre os dois institutos de propriedade industrial. O PPH é uma forma simples e gratuita de obter uma maior celeridade no processo de concessão de um pedido de patente, através da partilha de informação e de trabalho entre o INPI e outros Institutos parceiros do projeto PPH.
  • A tradução de patentes para português (especialmente para o Brasil) representa um custo significativo.

Assim, a colaboração entre Portugal e Brasil pode oferecer as seguintes vantagens estratégicas:

  • Economia de custos de tradução: Uma abordagem conjunta permite partilhar esforços de tradução e adaptação técnica e jurídica para português, talvez com aproveitamento mútuo de conteúdos ou centros de tradução especializados lusófonos.
  • Agilização do processo via PPH: O acordo PPH entre os institutos de Portugal e Brasil reduz duplicações de exame e pode acelerar a concessão em ambos os territórios.
  • Presença lusófona reforçada: Ao promover patentes originadas em Portugal com extensão ou parceria no Brasil, reforça-se a visibilidade da inovação lusófona no sistema internacional de patentes.
  • Sinergia de mercado: Empresas portuguesas que queiram atuar no Brasil podem beneficiar de proteção local, e vice-versa, empresas brasileiras que inovem podem usar Portugal/europa como plataforma.

No entanto, temos de ter em conta alguns desafios como por exemplo:

  • Mesmo com o PPH, cada jurisdição tem requisitos próprios de exame e concessão de patentes; portanto, simplificação não significa eliminação de risco ou de custo.
  • As traduções, embora otimizáveis, continuam a representar parte significativa dos custos para territórios lusófonos — devem ser bem orçamentadas. As traduções a depositar em Portugal terão de estar em Português Europeu e as traduções a depositar no Brasil terão de estar em Português do Brasil. Apesar de os clientes estrangeiros pensarem que a mesma tradução pode ser utilizada em ambos os países, isso não é verdade. Existem muitas diferenças no vocabulário e na gramática.
  • Manutenção das patentes (anuidades, validações nacionais) pode representar encargos prolongados.
  • Necessidade de avaliar se o mercado brasileiro justifica os custos de entrada e manutenção — proteção sem exploração pode ter retorno limitado.

Recomendações para Portugal melhorar a sua posição no mercado:

  • Apostar ainda mais na internacionalização das patentes — identificar mercados fora da Europa, colaborações internacionais.
  • Promover a transferência de tecnologia: garantir que as patentes portuguesas não fiquem “no papel”, mas cheguem ao mercado.
  • Incentivar startups e PME portuguesas a proteger as suas invenções globalmente, não apenas em Portugal.
  • Reforçar formação e apoio em propriedade intelectual (PI) e patentes para investigadores, empresas, universidades.
  • Continuar a apostar nos sectores de futuro (IA, saúde digital, biotecnologia, energias renováveis) onde Portugal já mostra atividade de patenteamento.

Em conclusão, podemos reforçar que a “lusofonia” na área de patentes pode ser um ativo estratégico, e que empresas portuguesas e brasileiras que se unirem podem ganhar escala, reduzir custos e reforçar presença global.

No mercado europeu, os requerentes portugueses depositaram mais pedidos de patente nos sectores da tecnologia informática e da tecnologia médica. O terceiro setor que registou mais pedidos de patentes foi o dos produtos farmacêuticos.

Em Portugal, os sectores relacionados com a saúde (tecnologias médicas, produtos farmacêuticos e biotecnologia) registaram o maior número de pedidos de patentes. Os inventores portugueses registaram mais patentes nos sectores da biotecnologia e dos produtos farmacêuticos, contrariando a tendência global da OEP, que registou um decréscimo. Ainda assim, a tecnologia médica registou um decréscimo de cerca de 19%, em relação ao ano anterior.

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