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Portugal, um país de inventores — e de mulheres que fazem a diferença

Por: Maria Cruz

28 de Novembro de 2025

Recentemente, o Expresso publicou o artigo “Portugal é um país de inventores — universidades e mulheres destacam-se no mundo das patentes”, e confesso que me revi muito nessa leitura.
Trabalho há vários anos na área da Propriedade Intelectual (PI) — não como investigadora nem inventora, mas como profissional que ajuda empresas e instituições a proteger e valorizar os seus ativos intangíveis. E, talvez por isso, fico especialmente orgulhosa quando vejo notícias que confirmam que o ecossistema da inovação em Portugal está a crescer e a diversificar-se, com as mulheres a ocupar cada vez mais espaço.

Segundo o relatório World Intellectual Property Indicators 2024, da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (WIPO), o mundo ultrapassou, em 2023, os 3,55 milhões de pedidos de patente, um recorde histórico. A Ásia continua a liderar com 68,7% dos pedidos globais, mas a Europa mantém o seu peso tecnológico e académico — e é aqui que Portugal se posiciona de forma interessante, ainda que discreta.

Portugal apresentou 86 pedidos de patente em 2023, um número modesto, mas em crescimento constante, com forte contribuição das universidades e centros de I&D, segundo a WIPO.
Além disso, Portugal destaca-se pelo equilíbrio entre inventores residentes e não residentes e, sobretudo, pela percentagem elevada de mulheres inventoras — cerca de 30% dos pedidos incluem inventoras nomeadas, valor que coloca o país muito acima da média europeia (13%).
(Fonte: WIPO – World Intellectual Property Indicators 2024; EPO Patent Index; INPI Portugal)

O relatório da WIPO revela também que Portugal acompanha a tendência global no registo de marcas e desenhos industriais:

  • As marcas tiveram uma ligeira desaceleração em 2023 (–2% a nível mundial), mas continuam a ser o principal instrumento de PI usado pelas empresas portuguesas, sobretudo nos setores de tecnologia, educação, saúde e serviços.
  • Nos desenhos industriais, Portugal apresentou 51 pedidos, em linha com a média europeia, com forte presença dos setores têxtil, mobiliário e metalomecânico — áreas onde a criatividade e o design são diferenciais competitivos.
    (Fonte: WIPO, 2024 – secções “Patents”, “Trademarks” e “Industrial Designs”)

Para mim, estes dados têm um duplo significado:

  1. Reconhecimento e motivação — Ver mais mulheres e instituições portuguesas a inovar é inspirador. Significa que a criatividade e o conhecimento técnico estão a gerar valor, e que a Propriedade Intelectual é parte integrante desse processo.
    Enquanto Agente Oficial da Propriedade Industrial tenho o privilégio de acompanhar esse percurso — ajudando a transformar ideias em direitos, e direitos em valor económico real.
  2. Responsabilidade e continuidade — Apesar dos progressos, os números mostram que Portugal ainda tem margem para reforçar a cultura de proteção e gestão de ativos imateriais.
    Muitas invenções nascem em contexto académico e não chegam a ser exploradas comercialmente. É aqui que a PI assume um papel estratégico — como ponte entre investigação, mercado e internacionalização.

Da minha experiência, tem sido particularmente positivo ver cada vez mais interlocutoras femininas em funções de liderança em inovação, I&D e propriedade intelectual. A diversidade está a enriquecer a forma como as empresas pensam e gerem a inovação.
E quando olhamos para os números, percebemos que Portugal está no caminho certo — com mais mulheres a inventar, a proteger e a decidir sobre inovação.

Três ideias que levo deste percurso:

  1. Valorizar o ativo invisível – A PI é a infraestrutura silenciosa da inovação; quem a protege, multiplica o valor.
  2. Construir rede e visibilidade – As mulheres estão a ganhar espaço não só nas patentes, mas também na gestão estratégica da inovação.
  3. Transferir da investigação à aplicação – A força da inovação portuguesa depende de transformar ideias em impacto económico.

Que continuemos, juntos — homens e mulheres — a inovar, proteger e prosperar.
Portugal já provou que é um país de inventores. Agora, cabe-nos fazer da proteção da inovação uma prioridade — para que o talento, a criatividade e o conhecimento se traduzam em valor sustentável.

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