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Quando a máquina cria: os desafios da PI na era da inteligência artificial

16 de Julho de 2025

Bruna Oliveira Pinho, IP Specialist ClarkeModet Portugal

Desde brincadeiras nas redes sociais até ao reconhecimento de dados biométricos, tem-se tornado quase impossível dissociar o uso da Inteligência Artificial do quotidiano de um cidadão comum. O rápido desenvolvimento das ferramentas de IA levanta questões não só sobre a “inteligência” de uma máquina, mas também sobre a sua eventual “capacidade criativa”, semelhante à humana.

Pode a IA ser considerada autora?

A Nível da União Europeia, os direitos de Propriedade Intelectual protegem apenas as obras criadas por seres humanos, partindo do princípio que só o ser humano é  capaz de exercer uma atividade criativa intencional. Assim, o autor deve ser, necessariamente, uma pessoa humana que tenha exercido controlo sobre as decisões criativas, influenciando significativamente no resultado final da obra.

O uso da IA na criação exclui a proteção por PI?

Atualmente, nenhum país da Europa reconhece a IA como autora. No entanto, isso não significa que o uso de IA seja incompatível com a proteção por Propriedade Intelectual.

Na verdade, devido à ampla aplicabilidade dos sistemas de IA, a proteção por propriedade intelectual dependerá do grau de automatização da IA utilizada. Portanto, para perceber se a proteção por direitos de PI é aplicável, é necessário distinguir entre sistemas de IA que operam de forma autónoma e aqueles que dependem de intervenção humana significativa no  processo de tomada de decisão.

Grau de intervenção da IA

Por exemplo, a utilização de um modelo de linguagem como o ChatGPT para gerar um livro não garante, por si só, a proteção por Propriedade Intelectual. Isso porque a simples introdução de comandos por meio de prompts, sem contribuição criativa substancial por parte do utilizador, não é suficiente para que se reconheça autoria nos termos exigidos pela legislação vigente.

Nesta mesma lógica, o Instituto Europeu de Patentes (EPO) rejeitou o pedido de patente DABUS, uma vez que um sistema de IA era indicado expressamente como inventor. O entendimento foi claro: apenas o ser humano pode ser considerado inventor.

Por outro lado, o trabalho assistido por software é um exemplo de uso de IA em que o resultado poderá ser protegido pela PI. Neste caso, o autor utiliza a IA como uma ferramenta, tal como utilizaria um lápis ou um pincel, para alcançar um resultado, havendo intervenção humana significativa no processo de tomada de decisão, pois o autor realizou escolhas livres e criativas que atribuíram originalidade ao seu trabalho.

Reino Unido: a exceção pós Brexit

Neste panorama legal europeu, o Reino Unido apresenta uma exceção interessante: a sua legislação prevê a proteção de obras mesmo quando as “decisões criativas” tenham sido tomadas por uma máquina. Nesses casos, a autoria é atribuída à pessoa que organizou os meios necessários para a criação da obra, ainda que esta tenha sido gerada autonomamente por um sistema de IA.

Ou seja, mesmo quando uma obra gerada por IA é protegida, a IA em si não é considerada autora, pois esse papel cabe à pessoa por detrás do sistema

IA e PI – oportunidades no meio do debate

Compreender e delimitar o papel da inteligência artificial no processo criativo é fundamental para avaliar a possibilidade de proteção jurídica por meio da Propriedade Intelectual. Afinal, os direitos de PI oferecem segurança jurídica permitindo ao seu titular reagir contra o uso não autorizado por terceiros, o que poderá ser um fator decisivo no momento de investir.

Dessa forma, conhecer o enquadramento jurídico aplicável é essencial para evitar situações de fragilidade jurídica, especialmente quando a ausência de proteção sobre um ativo relevante pode acarretar prejuízos significativos à empresa. Além disso, poderá representar uma oportunidade para a sua empresa destacar-se, demonstrando que está preparada para lidar com os desafios da sociedade tecnológica.

A previsibilidade e a segurança jurídica associadas à proteção por PI contribuem para atrair investimento e reduzir os riscos inerentes ao desenvolvimento e à exploração económica de criações baseadas em IA. Perante o crescimento das criações impulsionadas por IA, o acompanhamento por profissionais especializados é indispensável para identificar oportunidades existentes e antecipar potenciais desafios. Na ClarkeModet, contamos com uma equipe de especialistas em PI pronta para apoiar a sua empresa na exploração segura e eficaz do universo da Inteligência Artificial maximizando o valor dos seus ativos intangíveis.

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